Um Calor Dos Diabos

3 - outubro - 2008

Os quatro “termômetros†instalados dentro do carro começaram a suar, o que indicava elevação da temperatura. Sua leitura era bastante óbvia: quanto maior fosse a quantidade de líquido excretado, maior seria a temperatura ambiente registrada (ou vice-versa). E, como a transpiração coletiva era intensa, o calor, “deduzia-seâ€, beirava os limites do suportável (Me fez tirar a camisa! E posso dizer que, no meu caso, isso significa muito!). O sol já ia alto, num dia sem nuvens, e o próprio clima do local contribuía para aquela quentura (Some-se a isso o aquecimento generalizado do planeta…). Resolvemos, então, que pararíamos no primeiro lugar que surgisse, tamanha a nossa necessidade de ar fresco.
Descemos em Jorrinho, sem saber onde estávamos; a localidade não constava no mapa (No nosso mapa!) e foi necessário perguntar aos nativos que pedaço de chão era aquele (Detesto ter que fazer isso. “Qual é a desses playboys? Pensam que a gente mora no nada, é?†– segundo imaginava, era isso o que lhes devia passar pela cabeça com uma pergunta dessas.). E o ar não estava fresco…
Circulamos por um largo que descobrimos ser a praça principal. Era rodeada de “bares-restaurantes-pizzariasâ€, quiosques de sorvete e barracas de artesanato – ou de artigos Made in China. Aquilo ali deveria ser, para a população local, a ferveção dos finais de semana. Literalmente: a praça ficava abaixo do nível da estrada, o que dificultava a circulação do ar, e, como se já não bastasse aquele calor dos diabos, havia ainda quem estivesse disposto a cozinhar as carnes debaixo de chuveiros de água termal.
Reparei com curiosidade como os homens e mulheres ali tinham os corpos bem cuidados. Acredito que aproveitavam a oportunidade – única? – para se exibir em trajes de banho. (Rá! “Trajes de banhoâ€! Minha avó tem outro nome pro que se usa hoje em dia, rapaz…) De fato, aquela pracinha devia estar para eles como a Praia de Copacabana está para os cariocas, ou o Porto da Barra está para os soteropolitanos – se não quisermos sair da Bahia.

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