Trilha Sonora - Parte I

setembro - 17 - 2008

Trilha Sonora: “música especialmente composta ou adaptação de obra existente para ajudar a criar o “clima†e provocar a emoção que os diferentes momentos de um filme exigemâ€

Woody Allen seleciona todas as músicas que farão parte de seus filmes. Ele estuda cautelosamente toda sua discografia, analisando as canções que entrarão em sua obra.

Não sou nenhum Woody Allen mas essa será a minha tarefa de agora em diante. Musicar cada viagem e as tornar mais inesquecíveis.

Mas aí eu me perguntei: Pra quê provocar mais emoção? Não bastam as paisagens brutas do sertão de canudos e a força do Rio São Francisco e ainda queremos incluir músicas?

A resposta veio rápido: “Estimular mais um sentido e intensificar cada lembrança. O clímax.â€

Todas as viagens terão dois lados, Inside e Outside. Um estímulo de dentro pra fora e outro de fora pra dentro. Não serão músicas que necessariamente ouviremos no som do carro, mas melodias e composições que trarão a tona os momentos mais importantes da viagem.

A empolgação do início do projeto, a influencia de cada paisagem virgem aos nossos olhos e a seca perturbadora. Momentos tão distintos que nos levaram a felicidade extrema e tristeza repentina.

Para o lado INSIDE, retirei lindas composições feitas para três filmes inspiradores, Diamante de Sangue (faixas 3 e 4) , Babel (faixas 5 e 6) e O Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (faixa 11). Além disso outros artistas destacam momentos importantes da viagem como Ben Harper interpretando sua música com uma voz tão triste e solitária e os pernambucanos do Mundo Livre S/A recitando trechos como  “existe um globo infinito com bilhões de bolinhas girando em algum lugarâ€.

Ouça A PRIMEIRA - INSIDE

Comecem a escutar a trilha e não deixem de olhar álbum com os subtítulos de cada música. Espero que gostem.

01. One Of These Mornings – Moby e Patti LaBelle

Iniciando a jornada. Cada um com objetivos diferentes que se unem em uma troca constante de energia positiva.

 

02. James Newton Howard - Solomon Vandy

Grandiosidade da plantação de eucalipto contrasta com o boi morto. A beleza e a brutalidade

 

03. James Newton Howard - Crossing The Bridge

A orquestra das cigarras.

 

04. Ben Harper - Another Lonely Day

Cidade esquecida de Canudos. Precisam de ajuda para combater a seca.

 

05. Gustavo Santaolalla - Amelia Desert Morning

Na Reserva de Canudos. O silencio sublime munido do estalar das pedras do sertão

 

06. Gustavo Santaolalla - Deportation/Iguazu

Estrada de Canudos. Paisagem bruta, imponente e radiante.

 

07. Mundo Livre S/A - Samba Esquema Noise

Pobreza em Jorrinho: Seis Meninos de 10 anos tropeçam entre si disputando quem deve lavar o carro ainda limpo

 

08. George Harrison - Something (demo)

A volta. Saudades antecipadas: “I don’t want to leave her now”

 

09. B.B. King - Hummingbird

O nado sob Canudos Velho: A cidade submersa exala a energia de um povo valente.

 

10. Groove Armada - Hands Of Time

João se despedi com agradecimentos e saudades antecipadas, saudades dos meninos que lhes proporcionaram um dia de nostalgia. “Obrigado por esse dia meninos, vocês são nota 10″.

 

11. Beck - Everybody’s gotta learn sometime

“Change your heart, Look around you … Everybody’s gotta learn sometimeâ€

Rio São Francisco, o último destino de uma viagem inesquecível.

 

Fábio Camelo

Fotos - parte II

setembro - 17 - 2008

Segunda parte da viagem Salvador - Canudos - Paulo Afonso.
Nessa parte da viagem, nós saímos do município de Canudos e fizemos um off road até Jeremoabo.
40º à 30km/h… ê buraqueira.

“Um bom fotografo precisa apenas de uma lente 50mm e um bom par de pernasâ€

Tá, já me disseram para eu nunca começar um texto parafraseando alguém, mas foi primeira coisa que passou em minha cabeça quando percebi que minha lente havia quebrado. Mentira, essa foi a segunda coisa, a primeira foi “P&%&*! Que P#*%*?#!!!â€.

O falecimento aconteceu por partes, o primeiro órgão a parar foi o auto-focus, mas tudo bem, quem precisa de auto-focus? (alguém com 1.0 de miopia, talvez?!)

Nesse ponto da viagem estávamos saindo de Feira de Santana e um mundo de campos e morros se apresentava, tudo tão amplo que meus olhos não enquadravam. Para isso, saquei minha lente míope, coloquei na posição grande angular e… e… nada! A coitada perdeu mais uma função, o zoom. Agora éramos eu, minha câmera, uma lente sem foco que só funcionava na posição 50mm e um monte de lágrimas.

Só para ilustrar a situação, uma lente 50mm é equivalente mais ou menos a visão de um olho humano, aproximadamente 60º, bem menor que o ângulo dos dois olhos, que por sua vez é menor do que minha lente deveria proporcionar. Poderia descrever todas as propriedades ópticas da lente, mas isso não mudaria o fato de que eu estava caolho diante de um horizonte perfeito.

Voltando a frase, que atribuíram a Cartier-Bresson, não sou bom fotografo (mas chego lá), minhas pernas não são lá essas coisas (e não vão mudar). Pelo menos tinha a bendita 50mm.

Todo o processo fotográfico foi invertido na minha cabeça, antes de enquadrar eu tinha que pensar no corte que a foto teria, o que mudava também a exposição caso fosse cortar as nuvens. E o foco… ficou guardado na minha gaveta com sua armação flutuante em um estojo muito bonito escrito “Ótica Ernesto†junto com um monte de coisa que eu deveria usar, mas simplesmente não uso.

Foram três dias de um divertido desafio. Para cada foto panorâmica que perdia, ganhava uma com um novo enquadramento que provavelmente não teria percebido se tudo tivesse nos conformes. E, durante todo esse tempo, ficava com medo que a lente parasse de funcionar de vez, o que ocorreu quando já estávamos em Salvador, mais precisamente na Av. ACM (Bate na madeira).

Hoje faço parte da comunidade “Vejo as coisas por um ângulo diferenteâ€.

Espero que gostem do resultado.

Ricardo