Fotos - parte III

setembro - 23 - 2008

Terceira parte da viagem, voltando pra casa.

Sigamos em Frente!

setembro - 23 - 2008



Só tive a certeza de que estávamos em Feira de Santana ao passar pelo Hospital Geral Clériston Andrade. O HGCA é o maior hospital do interior da Bahia: são mais de 300 leitos e cerca de 1500 funcionários. O HGE, em Salvador, conta com mais de 2,5 mil funcionários e uma quantidade de leitos próxima à do Clériston. (Essas informações eu retirei do blog do Dr. Eduardo Leite. Logo, dedicarei um texto ao Doutor Eduardo e à situação do HGCA.) Quando trabalhava como clipador (Alguém aí sabe dar outro nome para essa função?), até pouco tempo atrás, era comum ouvir referências ao Hospital Clériston Andrade, principalmente ao editar o material das emissoras de tevê locais (na verdade, de uma emissora local, a TV SUBAÉ), de modo que a instituição tornou-se, para mim, um ponto de referência da cidade.

Procurávamos a BR 116, que nos levaria até Tucano, de onde desviaríamos para Ribeira do Pombal (BR 410) e, de lá, seguiríamos para Paulo Afonso, conforme o planejado. Mal sabíamos nós que, por descuido - e por força do destino, acredito – plano algum seria seguido.

Paramos para um segundo café numa barraca de lanches, que ficava próxima a um posto de vacinação na estrada. Assim que divisei o posto, sugeri a meus colegas que se vacinassem contra a rubéola; era época de campanha. Eu já tinha me vacinado em Salvador, num supermercado que fica perto do campus da UNEB, no Cabula, e lhes disse que o melhor seria não correr o risco de pegar a doença por aí. Argumentaram que outros postos seriam encontrados mais adiante; não queriam perder tempo. De fato, durante toda a viagem notei vários deles, evidenciados sempre pela convocação da publicidade institucional. Essa última campanha, em termos de meta, é a maior registrada no mundo, até hoje. O Ministério da Saúde pretendia imunizar, até o dia 12 de setembro de 2008, 70 milhões de pessoas. Como tal objetivo não foi logrado dentro do prazo estabelecido, estendeu-se a campanha até o dia em que redigi este texto, 19/09/2008. Agora é esperar pelos dados oficiais e verificar se a meta foi cumprida, ou não.

A Primeira

setembro - 14 - 2008

PARTIDA

Saímos da casa dos Três Porquinhos - por enquanto, situada no bairro da Amaralina, em Salvador - com três horas de “atraso”. Não poderia ser diferente: as mochilas ficaram para ser organizadas na última hora e já passava das 21h quando finalmente prontas.

O combinado era ralar as três da matina, no dia seguinte, mas o sono pesou um pouco mais (o de Henrique um pouco mais ainda…). Resultado: só batemos as portas e partimos as 6h30. E ainda havia o supermercado!

O projeto era passar três dias fora (sábado, domingo e segunda-feira), gastando o mínimo possível, claro. Calculamos que o mais barato, e prático, seria levar a comida daqui mesmo de Salvador. O Bompreço 24h da Pituba era, então, a opção mais próxima (só não sei se a mais em conta…). Gastamos mais uma hora com as compras e com o café da manhã. Tudo dentro do carro, nós e a “comida” encetamos viagem ao som da “Concrete Jungle” de Bob Marley.

OS TRÊS PORQUINHOS

Os “Três Porquinhos”, epíteto atribuído pelos chegados (os amigos, não os “chegados”…), são Ricardo, Fábio e Henrique, meus camaradas e companheiros de fuga. Ricardo, que pode ser identificado pela precoce, mas estilosa, cabeleira grisalha, é o nosso talentoso fotógrafo; Fábio, ou Fabinho, acumula as funções de programador do site Projeto Fuga, 2º fotógrafo e jukebox humana (grande conhecedor que é da obra dos mais diversos músicos, foi incumbido de organizar e resenhar a trilha sonora da nossa viagem). Ele também foi o corajoso que cedeu o carro (um Fox preto, duas portas, metido a CrossFox) e, muito despojado, bancou o combustível. Gente fina, não?!

Henrique é o único entre nós que pode realmente ser chamado “surfista” (gostamos de pegar umas ondas) - o resto é tudo haole. É o encarregado das filmagens, edição e montagem dos vídeos. Saca de Premiere, After Effects etc etc.

Eu sou o Thácio, e não faço parte da célebre tríade; cheguei depois na casa. E já saí. Só fiquei no apartamento de Amaralina por cinco meses. Era muita louça para lavar…(risos) Sou eu quem reportará a Fuga.

BR-324, INÃCIO DA FUGA

O cachorro atropelado, encontrado logo de início, poderia, no contexto da BR-324, ser tomado como sinal de mau augúrio. Mas, mesmo estando nós na referida estrada - cuja fama é por todos sabida, bastando, para a confirmar, assistir aos noticiários - nossa fé no sucesso do projeto, ao contrário daquele cão, permaneceu intacta.

O PROJETO

Bem, o projeto. Nem lembro mais do momento abençoado em que foi concebido este projeto. E nem o poderia; já me apresentaram pronto! Claro que o aceitei na bucha. Óbvio.

Muito óbvio.

Esquematicamente, o Projeto Fuga consiste em escolher uma cidade do mapa, por enquanto - e necessariamente - da Bahia. Bahia com “B”. De “Berço”. Pronto, uma simplicidade. Decidiu-se por Paulo Afonso. E não se decidiu mais nada.

Já metafisicamente, o Projeto é…

É…

É…

“Inenarrável”.

Na prática, o projeto era grana, que considero pouca - e podia ser menos! - e um carro. E acabou-se.

AINDA NA BR-#@$

Pouco e pouco, o verde ia engolindo o concreto das casas simples. Mas havia atividade na estrada. Uma quantidade razoável de carros de passeio e caminhões circulava - um caminhão achamos parado/estacionado em uma das pistas de rolamento.

Surgiram as primeiras fazendas de gado (Eu não estava na Ãndia, mas vi bois em fila indiana!). Rabello (Ricardo), que não come carne (e se amarra num Elma Chips), nos falou do tempo em que vendia o produto. E vendia bem! Agora, de qual discurso lançava mão…

Plantações de banana e cana-de-açúcar passaram por nós. Vimos seres humanos cultivando a terra, as sacas de sementes dispersas; até Feira de Santana, não me lembra ter visto qualquer máquina agrícola. Num dos campos de cana, um espantalho! Dá pra acreditar que eu nunca tinha visto um? Coisa de quem não sai muito do próprio bairro!

O asfalto, na BR-324, era desbotado - e tinha buracos. O verde, que outrora tragara o concreto, principiava regurgitá-lo, em novas conformações; era Feira de Santana que se aproximava. Antes de chegar na “Princesa do Sertão” (perífrase inaugurada por Ruy Barbosa, em 1919), coiós de taipa prenunciavam uma realidade penuriosa que se encontra perdida nos recantos da Bahia e do Brasil, e que nos seria revelada ao longo de nossa pequena aventura. Fabinho, sabe-se lá por qual iluminação profética, anunciou que aquela viagem transformaria as nossas vidas. E estava certo.

Thácio Faria